Índice nacional de obesidade infantil cresceu 70% desde 2008

Um dos principais fatores de risco está atrelado ao estilo de vida da família

Segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, que consideram o período de 2008 a 2021, a taxa de obesidade infantil no Brasil cresceu 70%. Esse aumento exacerbado também se deve ao fato da pandemia da covid-19, que potencializou os fatores de risco.

O estudo mostra que uma em cada dez crianças de até cinco anos está com o peso acima do ideal, 7% com sobrepeso e 3% com obesidade. Essa realidade é resultado de uma série complexa de fatores genéticos e comportamentais que envolvem famílias e escolas.

A nutricionista do Hapvida NotreDame Intermédica, Michele Arruda, reforça que além de diabetes e hipertensão, a criança acima do peso pode desenvolver problemas nas articulações. “O joelho é o mais prejudicado, pois o corpo não está estruturado e pode ocasionar problemas nos ossos. Outro problema comum é o desenvolvimento da apneia do sono, onde a respiração fica comprometida, pois o aumento de peso leva a uma pressão no diafragma, então, consequentemente o sono fica comprometido”.

A obesidade infantil, além de impactar na saúde física, também afeta a saúde mental da criança. “Há a questão da comparação de peso, da estética. Então essa criança acaba por se retrair, se excluindo também de alguns locais. Ela se sente mal por não conseguir acompanhar o coleguinha durante uma brincadeira ou na prática de algum esporte, pois se cansa muito mais rápido que os demais”, explica a nutricionista.

Estilo de vida das famílias tem influência direta no comportamento das crianças

Os principais fatores que desencadeiam a obesidade infantil estão atrelados ao estilo de vida da família, muitas oferecem alimentos ultraprocessados desde a introdução alimentar. O sedentarismo também tem grande influência, considerando o número de horas que as crianças ficam entretidas com o celular.

Outro comportamento comum nas famílias apontado pela especialista é o desrespeito à saciedade da criança. “Há crianças que vão ter mais fome que outras e isso é algo que precisa ser respeitado. Aquele paradigma de antigamente de que criança que repete a comida, ou aquela que é gordinha é mais bonito de se ver precisa ser mudado. O importante é sempre manter uma alimentação balanceada, mesmo que a criança coma pouco, pois se não houver os devidos cuidados pode ter um risco de vida e um impacto negativo em sua vida adulta”.

Tratamentos

O tratamento da obesidade infantil envolve um acompanhamento multidisciplinar, abordando todos os aspectos que envolvem a saúde da criança. O nutricionista com a reeducação alimentar, orientando quanto a troca de alimentos que vão dar mais saciedade, o psicólogo na questão da saúde mental, tratando de possíveis ansiedades e compulsividade alimentar e um profissional de educação física para que estimule o gasto calórico de forma prazerosa. Além desses, a atuação do endocrinologista é fundamental para manter os padrões de normalidade dos exames laboratoriais.

Foto: Pexels.

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