Cientistas descobrem remédio capaz de retardar os efeitos do Alzheimer no cérebro

Medicamento foi desenvolvido pela empresa americana Biogen e a japonesa Eisai

Uma pesquisa realizada pelas empresas Biogen e Eisai, com foco em encontrar uma forma de retardar os efeitos do Alzheimer, foi divulgada na última terça-feira (29) pela revista científica New England Journal of Medicine. Durante 18 meses as duas farmacêuticas se dedicaram a investigar a ação do anticorpo Lecanemab no cérebro de pessoas que sofrem com a doença. Os resultados são os mais surpreendentes da história até o momento.

Ao todo, foram 1.795 voluntários na fase inicial da doença, com origens na América do Norte, Europa e Ásia. No início da descoberta os cientistas não ficaram tão animados, já que outros medicamentos já haviam dado resultados semelhantes. No entanto, ao longo dos experimentos foi comprovado a redução surpreendente de 27% no declínio cognitivo.

Tomografias que monitoraram a atuação do anticorpo Lecanemab comprovaram que ele elimina as placas da proteína beta-amiloide no cérebro, consideradas as principais causas do Alzheimer. Foram observados também diversos efeitos colaterais, que fizeram 7% dos voluntários deixarem o tratamento: 17% tiveram hemorragias cerebrais e 13% apresentaram inchaço no cérebro.

Apesar de ser considerado um marco na história das pesquisas sobre o Alzheimer, esse ainda é só o início da jornada dos cientistas em busca de um tratamento eficaz e com efeitos colaterais amenos.

John Hardy, um dos pioneiros a propor tratamentos contra a amiloide, avaliou que a descoberta é “histórica” e mostra que “estamos vendo o início de tratamentos contra o Alzheimer”

A Eisai pretende aprovar a análise do medicamento nos EUA, Japão e Europa até o fim de março de 2023. A agência reguladora americana, Food and Drug Administration (FDA) aceitou o pedido enviado pela farmacêutica e marcou uma data inicial, prevista para janeiro do ano que vem. Já o órgão responsável por esse trâmite no Japão ainda não deu uma previsão para a análise.

 

Foto: Reprodução/Internet

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