Superação da violência é tema central da Campanha da Fraternidade

Wôlmer Ezequiel

O padre Geraldo Ildeo destaca que para alterar a realidade de violência é preciso mudar o pensamento e ação

Com o tema “Fraternidade e a superação da violência”, a Campanha da Fraternidade 2018 foi lançada nesta quarta-feira (14). A iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) será trabalhada ao longo do ano por diversas formas, direcionada para toda a sociedade.

Em conversa com o Diário do Aço, o padre da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Geraldo Ildeo Franco, explica que a campanha tem um cunho ecumênico e que todos devem se atentar pela mensagem deste ano. “A violência no Brasil atinge a todos e de diversas formas. O tema mostra, para nós, que a violência não será superada com violência. É preciso uma mudança de ação”, pontua o padre.

Formas de violência
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o ano de 2016 bateu recorde em homicídios registrados, totalizando 61.600 mortes violentas no país. Uma média de sete assassinatos por hora. Além dos crimes violentos, a campanha aborda os demais atos violentos que as pessoas praticam de forma comum em suas vidas.

“Nós podemos ser violentos zombando de alguém, discriminando pessoas de diferentes raças ou credos, desrespeitando as regras de convivência, a opressão contra a mulher fora e dentro de casa. A violência também pode ser contra nós mesmos, como a irresponsabilidade no trânsito. Há milhares de formas de sermos violentos. Tudo que vai a favor do egoísmo e orgulho é violência”, avalia o pároco.

Um dos pontos destacados pelo religioso é a violência do Estado contra os indivíduos. “os escândalos de corrupção, o descaso com o sistema penitenciário, a parcialidade da Justiça e o alto índice de homicídios da polícia mostram a violência do Estado brasileiro contra a própria sociedade”, salienta.

Mudança
A campanha traz como lema a passagem evangélica “Vós sois todos irmãos” (Mt 23;8). No entendimento do padre Geraldo, a campanha propõe novos caminhos para o fim da violência. “Já percebemos que a violência contra a violência não funciona. A campanha propõe a mudança de comportamento, de sentir a fraternidade entre as comunidades. As pessoas precisam mudar a mentalidade e começar a enxergar o outro como semelhante, um irmão”, destaca padre Geraldo.

Para o pároco, o panorama de violência no Brasil será alterado somente quando houver o fortalecimento da família, educação e religião. “A proposta da Igreja é que o ser humano tenha bem trabalhado estes três pilares, para a não violência e para o início do amor fraternal”, conclui o religioso.


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