Evento em Viçosa levanta diálogos sobre negritudes e cultura ancestral

A primeira edição do evento “Reabolição”, realizado pela Secretaria de Cultura, Patrimônio Histórico e Esportes no último final de semana, aconteceu com o objetivo de ressignificar a data de assinatura da Lei Áurea, no dia 13 de maio de 1888. A programação teve como sede a Estação Cultural Hervê Cordovil.

A abertura do evento contou com as falas do chefe do Dep. de Cultura, Marcelo Augusto, do secretário Thomas Medeiros, do vereador Bartomélio da Silva Martins (Professor Bartô) e de Teresinha de Jesus Ferreira, da União de Negros Pela Igualdade (Unegro). Após a mesa, o bailarino viçosense Felipe Gonzaga apresentou seu solo de dança “A Sensibilidade do Homem Forte”, uma crítica sobre a construção da imagem do homem negro na atualidade. A apresentação artística foi seguida de uma discussão sobre o tema e sobre o racismo estrutural.

O segundo dia de ‘Reabolição’ começou com uma palestra do professor José do Carmo sobre os movimentos libertários dos povos africanos na região de Viçosa. Sobre a conversa, Hugo Dário, designer de moda e fotógrafo presente no evento, comenta: “São conexões e aprendizados que eu acho que todo mundo deveria ter. Ele me deu apropriação de conhecimentos que eu não tinha do meu estado, do meu país e do meu povo também, porque agora, sabendo disso, eu tenho propriedade de falar um pouco mais para os outros e ensinar para outras pessoas sobre quem sou eu e onde eu vou estar”.

Logo após a palestra, a pesquisadora e professora de canto Letícia Afonso ministrou a oficina “Canto Ancestral Vissungo e Jongo: Ativando a força vital com a sabedoria negra Bantu”. Os participantes se emocionaram ao se conectarem com a ancestralidade por meio da música e das relações de entrega propostas naquele momento.

O ‘Reabolição’ também trouxe como atividade a exposição de um cenário de favela produzido com papelão, de autoria do músico Celso Moretti, construída para seu clipe de reggae “Zape na Ma~o”, que teve estreia em outubro de 2021. A maquete chamou a atenção de todos que passavam pelo evento ou pela parte alta do Balaústre, rendendo muitas postagens nas redes sociais.

Reunindo os convidados José do Carmo, Letícia e Celso, os organizadores e as demais pessoas presentes no ‘Reabolição’, incluindo os dançarinos Felipe Gonzaga e Marco Antônio de Jesus, o evento promoveu uma roda de conversa com a temática “Caminhos para a Reabolição”. Na ocasião, os participantes discutiram sobre suas trajetórias e sobre a importância da ampliação do debate e de espaços para conversar sobre a negritude e para a imersão na cultura.

O concurso de fotografia “Onde está a Reabolição?” também teve suas 10 fotos selecionadas expostas presencialmente. Durante a programação, o público pôde votar em sua imagem favorita. Pelo voto da Comissão de Avaliação, foram classificadas para o pódio do concurso as fotografias de Rebeca Lima (1º lugar), Victtor Daniel (2º lugar) e João Luca (3º lugar). A primeira colocada também levou o prêmio do júri popular.

Na foto selecionada, Rebeca retratou Seu Emanuel, um senhor residente no Lar dos Velhinhos com o qual a fotógrafa construiu uma relação próxima. Na fotografia, ele estava em uma viagem de ônibus, a caminho de uma celebração de Natal, e traz uma feição digna de conquistar qualquer pessoa. Segundo a artista, o olhar e a expressão de ternura eternizados na imagem são trajes constantes de Seu Emanuel.

A programação teve ainda duas atrações musicais, começando pelo cantor Arthur Vinih, acompanhado pelo percussionista Adailton Couto, fazendo seu som com presença marcante da ancestralidade africana, como nos singles autorais de maior sucesso: “Eu Sou Negão” e “Pele Preta”, composições que ganharam destaque nas plataformas digitais.

Encerrando oficialmente o evento, o DJ Pedro Paiva, parte do Coletivo Vinil é Arte de Juiz de Fora, preparou um repertório especialíssimo para o ‘Reabolição’, todo em discos de vinil, fazendo uma viagem pela música black nacional e internacional e fechando a noite de sábado com muita dança, representatividade e alegria.

As informações são do Portal Primeiro a Saber, associada AMIRT

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