Palestra do Servas discute sobre a nova Lei Federal

O impacto dos dispositivos móveis na educação, foi o tema central da palestra realizada pelo Serviço Social Autônomo Servas, nesta quarta-feira (26/02).
O presidente do Instituto dos Advogados de Minas Gerais, Jean Carlos Fernandes, salientou como os objetivos da Instituição estão alinhados ao projeto “Embaixadoras do Servas”.
“O Instituto dos Advogados de Minas Gerais é uma instituição centenária fundada em 1915, e tem como objetivo o aprimoramento da ordem jurídica e da cultura no meio social. Em razão disso, fizemos uma parceria com o Servas, onde trabalhamos em temas estratégicos, em temas que são importantes para a sociedade. (Já estamos) na segunda edição desse projeto”, declarou.
Criado pelo Serviço Social Autônomo – Servas, em 2023, o “Embaixadoras do Servas” mobiliza primeiras-damas, secretárias municipais e mulheres representantes dos municípios de todo o estado para auxiliar na promoção e execução das ações da instituição. No evento desta semana, as especialistas Zuleica Reis Ávila e Greycielle Amaral apresentam um panorama completo da nova Lei Federal n.º 15.100/2025, que traz mudanças importantes sobre o uso de celulares nas escolas.
“A ideia é que a gente debata tudo que foi discutido, pra gente chegar a este momento de proibição É um tema que de fato exige um exercício, um esforço, considerando que o mundo atual é bastante tecnológico. Então, vamos ter que fazer o nosso ‘Para casa’, o nosso debate, as nossas discussões, os nossos treinamentos, para que a gente possa alcançar este equilíbrio entre a conectividade e a concentração”, destacou a Advogada, especialista em Direito Administrativo e Proteção de Dados e Privacidade, Greycielle Amaral.
Durante a apresentação, as especialistas destacaram que os celulares podem ser aliados poderosos na educação quando utilizados de forma pedagógica, estimulando a pesquisa, a criatividade e a interatividade em sala de aula. No entanto, também alertaram para os riscos do uso excessivo e não direcionado, que pode comprometer o rendimento escolar e a atenção dos estudantes.
“A sanção, vai de acordo com a estrutura da escola. Por exemplo, se eu tenho condição de guardar o celular e eu deixo claro para a família que é assim que a escola vai proceder, tudo bem, a escola comunica a família, comunica os estudantes e é essa a regra que a escola propôs, comentou a Diretora executiva do Colégio Santa Dorotéia BH, especialista em Gestão Educacional e Liderança, Zuleica Reis Ávila.
Zuleica acrescentou, ainda, a respeito da posição dos professores nesse cenário:
“O problema é o estudante ou o professor? O professor hoje, que não consegue dar uma aula que prenda o aluno, como vocês mesmos disseram, conseguir fazer essa galera toda aí, ficar ligada aqui no que estou falando, não tem ninguém dormindo, não tem ninguém olhando o celular, é porque está interessando. Eu consegui mobilizá-los de uma forma a seduzi-los a ficarem olhando para mim e prestando atenção. Nós que lidamos com os professores aí, e a gente sabe disso, que a aprendizagem é ligada à sedução, à sedução do aprender, desejo de querer saber, do conhecimento. Então, o professor, para ele prender a atenção do aluno, ele tem que ter essa sedução, ele tem que saber quais as estratégias que ele vai usar para que o aluno não pense naquele celular.”
Entre as soluções apresentadas, as palestrantes sugeriram que escolas e educadores adotem políticas claras de uso dos celulares, promovendo uma cultura de responsabilidade digital.
“Estabelecer uma regra geral, imaginando no Brasil inteiro, com várias diferenças regionais, eu acho que poderia perder aí, sim. Mas trazendo essa discussão para a escola, para que ela possa, dentro do ambiente, saber o nível de entendimento, o que ela vai conseguir trabalhar, porque tem que ser aliado às ações de conscientização. Então, não é só punir. Ela vai ter um exercício aí de, às vezes, no começo, a penalidade pode ser mais suave, depois ela vai aumentando a penalidade. Olha, eu já te dei seis meses, já estou aqui com vocês, com os professores. Então, eu acho que é um mecanismo bacana. Acho que não enfraquece, eu acho que fortalece, dá, de fato, essa autonomia e, de fato, a quem que está, todos os dias, lidando com esse problema”, expressou Greycielle Amaral.
O evento também trouxe reflexões sobre o papel das famílias na orientação sobre o uso saudável da tecnologia. As especialistas reforçaram a importância do diálogo entre pais, professores e alunos para garantir que o celular seja uma ferramenta de apoio ao aprendizado e não um fator de distração.
“A gente tá aqui para ajudar a pensar em como encontrar esse equilíbrio. A lei está posta, então a norma já existe. Mas é claro que toda novidade legislativa demanda um período de adaptação, e demanda um retorno da sociedade. Então, isso vai ser experimentado, é a primeira vez que acontece. Esse é um desafio novo. Eu digo que é muito fácil lidar com os problemas quando a gente tem um repertório de uma geração ou mais gerações anteriores, (mas) quando um problema é completamente novo, o desafio é muito grande, e é disso que a gente trata agora”, reforçou a presidente do Servas, Christiana Renault.
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O Servas
O Serviço Social Autônomo – Servas, atua como uma ponte entre quem precisa de ajuda e quem pode contribuir. Essa conexão é feita por meio de programas sociais que incluem segurança alimentar, educação, cultura, saúde e assistência social, sempre guiados pela ética e transparência, como afirma a conquista da ISO 9001/2015.
Campanhas como Volta às Aulas e SOS Águas são destaques dos últimos tempos, reforçando a importância da mobilização da sociedade no desempenho das iniciativas. Para quem deseja contribuir, o Servas disponibiliza diferentes formas de doação e participação, desde contribuições financeiras até voluntariado, que podem ser solicitadas no site oficial: https://servas.org.br/