5G no Brasil: 10 milhões de famílias terão de comprar kit de parabólica; saiba o porquê

Nova tecnologia de telefonia móvel pode afetar sinal de televisão recebido via satélite

5G começou a funcionar no Brasil em 6 de julho no Distrito Federal. A nova rede de telefonia móvel afeta o sinal de antenas parabólicas de milhões de famílias que usam o sistema para ver televisão. Isso porque o espectro do 5G puro — que não depende da infraestrutura do 4G — está próximo do usado pelas parabólicas.

Enquanto a televisão que chega via satélite ocupa a frequência entre 3,7 GHz e 6,45 GHz (conhecida como banda C), o 5G puro opera em 3,5 GHz. A proximidade não perturba o 5G, mas atinge o sinal que chega aos televisores e causa ruídos de som e imagem. Os receptores não são capazes de filtrar essa interferência.

Para evitar o risco de interferência no sinal, as parabólicas vão passar a receber a transmissão em outro espectro, a banda Ku. A banda C deixará de existir nos próximos 18 meses, quando a transferência total das parabólicas para a banda Ku for concluída. Esse processo é chamado de limpeza de faixa.

A responsável por ela é a Empresa Administradora da Faixa (EAF). Formada por Claro, TIM e Vivo, as operadoras que conquistaram a faixa de 3,5 GHz no Leilão do 5G, ela foi criada para limpar a banda C. A EAF estima que 20 milhões de domicílios assistem à TV aberta a partir de antenas parabólicas. Metade dessas famílias, 10 milhões, vão pagar a substituição com recursos próprios. Consumidores inclusos no CadÚnico, que registra indivíduos de baixa, têm direito à troca gratuita, conforme determinou o Edital do 5G. Nesse caso, é a EAF quem paga.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), são 18 milhões os lares que usam a tecnologia. Os dados têm como base a pesquisa de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Esses dados podem não representar a realidade atual, considerando que temos uma expectativa de declínio no número de parabólicas com o passar do tempo”, informa.

Ainda não foram relatadas dificuldades

As próximas cidades a receber o 5G devem ser Belo Horizonte (que tem 2.700 parabólicas), João Pessoa (1.500) e Porto Alegre (1.500). O custo médio da troca dos aparelhos é de R$ 400 em sites de vendas na internet. Os kits são compostos por antena, receptor e fiação.

De acordo com a Anatel, o 5G já representa 14% do previsto no Distrito Federal. Apenas os domicílios com parabólica incluídos nesse percentual podem ter interferência de sinal. Vinícius Karam, superintendente de outorgas e recursos à prestação da agência, diz que a estatal ainda não recebeu reclamações relacionadas.

Nem todos os domicílios com antenas parabólicas devem ser afetados. “Isso varia de acordo com fatores, como posição da parabólica e distância em relação às antenas do sinal de internet, por exemplo”, diz Karam. Quanto mais próximo de uma antena de 5G, maior a chance de haver interferência.

Quem perceber o problema, deve procurar o serviço Siga Antenado, da EAF, pelo site ou pelo telefone 0800 729 2404. A troca e a instalação do kit são gratuitas somente a beneficiários do CadÚnico cujo aparelho atual esteja funcionando. Já está disponível em Brasília, Belo Horizonte, João Pessoa e Porto Alegre.

As informações são da Rádio Itatiaia – Associada Amirt

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